26Abr/12

Jovens trocam vendedores de lojas por tecnologia

Quando a analista da Intel em Phoenix, Nadia Karim, vai às compras, não espera pelos vendedores. Ela salva artigos vistos em aplicativos e sites da web em seu celular, exatamente como uma lista de compras. E, ao andar por uma loja, usa o telefone para verificar os produtos de concorrentes.

“Como compro muito, às vezes sinto que conheço melhor as marcas que alguns vendedores”, afirma Karim, de 26 anos.

Para os consumidores acostumados com o comércio eletrônico, a resposta ao “Posso ajudá-la?” de um vendedor é cada vez mais um “Não”.

Em vez de adotarem uma postura defensiva, algumas lojas e marcas resolveram criar novos serviços pessoais que usam aparelhos em vez de vendedores.

A marca de cosméticos Bobbi Brown tem telas sensíveis ao toque em suas lojas para demonstrar truques de maquiagem. A loja de calçados do astro do basquete LeBron James em Miami disponibiliza 50 iPads para mostrar detalhes dos produtos. A Macy’s já testa estações de cosméticos onde tablets dão dicas e esclarecem dúvidas.

As empresas estão aderindo à tecnologia agora, já que esta ficou barata o suficiente para se tornar acessível e também porque a Apple e outros fabricantes de tablets e telas sensíveis ao toque têm aumentado seus esforços de vendas.

“A tendência é a acreditar que, se você falar com uma pessoa, ela vai jogar seu tempo fora ou vender algo que você não quer”, diz Ricardo Quintero, diretor global de desenvolvimento de mercado da Clinique, que oferece aparelhos de tecnologia touchscreen em seus balcões. “Isso está aliviando a pressão.”

A Nordstrom investiu em um aplicativo que os executivos esperavam que as pessoas usassem remotamente para comprar produtos enquanto assistiam à TV ou esperavam o metrô. Além deste uso, os clientes resolveram utilizar o aplicativo dentro da própria loja, em vez de procurar os vendedores.

“A maneira como o cliente define o serviço e quer que ele seja prestado vem mudando com rapidez, grande parte disso é conduzido pela tecnologia”, afirma Erik Nordstrom, presidente das lojas Nordstrom. “Muitos clientes preferem tocar, sentir e experimentar a mercadoria, mas também querem receber informações on-line.”

Depois de disponibilizar Wi-Fi em quase todas as suas lojas, a Nordstrom testa estações de carregamento e núcleos de iPads e computadores.

Analistas de varejo explicam que não sobram opções às empresas de qualquer tipo senão a de se adaptarem aos clientes que fazem pesquisas por conta própria. A Quicken Loans Arena em Cleveland oferece aos visitantes em camarotes um iPad para encomendas de comida, enquanto os Aloft Hotels instalaram tablets no lugar de balcões de recepção.

As lojas admitem que, por enquanto, não devem dispensar empregados para acomodar seus homólogos digitais. Mas Sherry Turkle, professora no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, acredita que os compradores estejam perdendo algo intrínseco à experiência humana quando evitam os vendedores. “Você acaba com grande parte da riqueza, da confusão e da exigência de ter de tratar com pessoas.”

Karim assume que não evita todos os vendedores, mas que a tecnologia deu a ela a liberdade de ser exigente. “É divertido ver as coisas pessoalmente e tocar tecidos, experimentar sapatos”, disse. “É uma experiência social.”

Com informações de Stephanie Clifford, do New York Times / Adaptação: Equipe FTPI.

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